Nova classificação de facções como terroristas exige salto tecnológico em PLD no sistema financeiro

Com a iminente elevação do rigor regulatório internacional sobre o Brasil, fornecedores de tecnologia devem acelerar a implementação de IA analítica e georreferenciamento para proteger bancos e fintechs de sanções globais

São Paulo, 24 de junho de 2026 – O mercado financeiro brasileiro está prestes a enfrentar a maior e mais complexa mudança em Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD) de sua história. A discussão jurídica para enquadrar as principais facções criminosas do país na categoria de organizações terroristas internacionais deve elevar drasticamente as exigências de conformidade. Diante desse cenário, fornecedores de tecnologia financeira devem acelerar a entrega de soluções para preparar bancos, cooperativas de crédito e fintechs para um novo patamar de exigências de compliance.

Caso o enquadramento jurídico se concretize, o sistema financeiro nacional passará a responder a protocolos internacionais rígidos , e as instituições estarão sujeitas a sanções globais severas, incluindo o bloqueio de operações no exterior e a perda de correspondentes bancários internacionais.

O principal desafio reside no fato de que o crime organizado nacional alcançou um nível de sofisticação tecnológica sem precedentes, operando de forma pulverizada e camuflada na economia formal.

A superação das listas estáticas

Para responder a essa ameaça, as tradicionais consultas a listas “sujas” estáticas de CPFs e CNPJs já não são suficientes. As principais fornecedoras de tecnologia do mercado, também chamadas de regtechs, estão atualizando suas plataformas para sistemas de Inteligência Analítica e Inteligência Artificial Georreferenciada.

A tecnologia é capaz de cruzar dados transacionais com a geolocalização e identificar microfluxos financeiros atípicos em áreas de alta influência dessas facções. Padrões de movimentações fracionadas em pequenos comércios locais, postos de combustíveis e empresas de fachada são detectados em tempo real por meio de algoritmos de aprendizado de máquina.

“A sofisticação do crime organizado exige que o mercado financeiro mude a forma como enxerga o risco de PLD. Não estamos mais lidando apenas com a validação de documentos, mas com a análise comportamental e contextual do fluxo do dinheiro”, explica Ubiratan Lima, diretor da unidade de riscos da Dimensa, referência em tecnologia para operações financeiras, crédito e risco, e seguros.

O executivo ressalta o papel estratégico da tecnologia na otimização dos recursos humanos das instituições. “O grande valor das plataformas de gestão regulatória não está apenas no bloqueio automático do risco, mas na capacidade de filtrar o ruído e reduzir os falsos positivos. Ao automatizar a triagem de transações complexas por meio de inteligência analítica, permitimos que as equipes de compliance das instituições financeiras saiam de tarefas repetitivas e se concentrem em investigações de maior valor estratégico e análise de cenários complexos”, pontua.

Mitigação de riscos e soberania financeira

A urgência na adoção dessas tecnologias visa mitigar o risco regulatório e garantir que o Brasil permaneça integrado ao sistema financeiro global. A perda de bancos correspondentes (processo conhecido como de-risking) poderia encarecer ainda mais as operações de comércio exterior e o envio de remessas para o país.

Ao adotar sistemas capazes de rastrear a capilaridade das transações ligadas ao crime organizado, as instituições financeiras brasileiras não apenas se protegem contra multas pesadas do Banco Central (Bacen) e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), mas também asseguram sua reputação e viabilidade operacional perante os maiores reguladores e investidores do mundo.

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